Empreendedorismo

Benedito Julio de Souza

Autor do livro - Criando uma Cultura Empreendedora no Brasil..

Um gesto que marca . . .

No momento que o Presidente do Grupo SONAE ( maior conglomerado empresarial de Portugal) está envolvido com a negociação empresarial da sua vida - Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom, que gira em torno de US$ 10 bilhões - lê o livro " Criando uma Cultura Empreendedora no Brasil" e envia-me correspondência que é uma "aula" de empreendedorismo.

Veja "aula" logo abaixo...

att.

Benedito de Souza
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Maia, 13 de fevereiro de 2006.

Caro Amigo "irmão português" do Sul

Tive ocasião de, durante o passado fim-de-semana, ler o seu livro sobre a importância da cultura empresarial no Brasil.

Deve ser bem útil aos futuros candidatos a empreendedores.

Costumo dizer que para ser empreendedor e merecer ser empresário é preciso querer - vontade, audácia e poder - estudar, formação contínua.

Tal combinação é relativamente escassa pois há gente que quer, mas não se esforça para o ser, e outros que poderiam mas não têm a têmpera genética para avançar.

Igualmente li obra GEM, sendo nós apoiantes em Portugal para além de sermos fortes apoiantes da Babson College ( para onde enviamos muitos quadros) e da London Business School onde fui membro do Advisory Board e sou Honorary Fellow.

Votos de muita saúde

Com amizade,

Belmiro de Azevedo
(Presidente)

É preciso fazer "chegar a vez" dos empreendedores.
(Por: Benedito Julio de Souza)
Historicamente a pátria amada Brasil não tem sido gentil com os empreendedores. Porém, agora, para minimizar o desemprego, um dos maiores problemas sociais do país, é necessário suscitar transformações rumo a criação de uma cultura empreendedora.

Somente pela mudança nas normas sociais e culturais a respeito dos empreendedores iremos sair de uma posição negativa de 10 milhões de desempregados para uma posição positiva de 50 milhões de oportunidades de trabalho.

Temos que parar o crescimento dos cemitérios de pessoas jurídicas, de direito privado! Eu explico:

Era mais um dia de leilão no Depositário da Justiça do Trabalho - DJT, na Cidade Industrial de Curitiba. Embora more na cidade há algum tempo, somente agora tive oportunidade de conhecer o DJT de perto. Fiquei por lá cerca de meia hora. Tempo suficiente para perceber que estava diante de uma “ossada” de empresas internadas na UTI (Unidade dos Torturados por Impostos) ou mesmo já falidas.

Na medida que andava pelos diversos corredores, todos formados e organizados com máquinas e equipamentos, chapas de aço, ventiladores, escrivaninhas, arquivos metálicos, vasos sanitários, chapas de mármores, tratores, tampos de pias e computadores, lembro-me que estava sendo tomado por interrogações:

Quem foram os empreendedores? Onde estão hoje? Quantos postos de trabalhos foram criados? Por que quebraram? Quantas pessoas operaram aquelas máquinas e equipamentos? Quantos impostos foram gerados? Quantas pessoas serão beneficiadas com as vendas dos "restos mortais"? Será que não seria mais interessante transformar tudo aquilo em um museu de sucata industrial? Se nossas normas sociais e culturais valorizassem mais os empresários, haveria tantas empresas indo para o cemitério?

Parei minha reflexão. Tinha que parar, pois era possível formular infinitas interrogações.

Ressalto dois detalhes. Um deles é a forma como estavam “enterrados”: havia a ala dos sepultados em barracões cobertos e a ala dos sepultados a céu aberto. A probabilidade de encontrar “um dente de ouro” entre os que estavam a céu aberto era mínima.

O outro detalhe é que não encontrei nenhum indício de “ossos” oriundos das esferas do governo federal, estadual ou municipal. Tudo muito curioso. Governo Federal não quebra, Governo Estadual não quebra, Governo Municipal também não quebra. Será uma performance administrativa de fazer inveja para qualquer grupo de Ph.D do mundo? Com certeza não.

Sem querer criar ramificações complexas, atente para o seguinte: será que para as três esferas de governo manterem-se vivas, os cemitérios de empresas privadas precisam crescer? Não, não precisa. O que é necessário é fazer com que nossa sociedade perceba o real valor dos empreendedores ao desenvolvimento econômico e social, do Brasil. E os apóiem.

Como? Criando políticas e programas de curto, médio e longo prazo que priorizem as iniciativas empresariais, levando os fundamentos de uma sociedade empreendedora para as escolas, oferecendo linhas de créditos compatíveis com os perfis das
atividades empresariais e a maturação das empresas, simplificando as leis trabalhistas, desonerando a produção e reformulando as leis tributárias e as leis de previdência social.

Oportuno lembrar as palavras de Kennet Arrow, Prêmio Nobel de Economia de 1972 - "Os governos nunca quebram. Por causa disso, eles quebram as nações".

Benedito de Souza

Autor do livro - Criando uma Cultura Empreendedora no Brasil.

http://bjs.souza.sites.uol.com.br/