CASES DE SUCESSO - Notícias selecionadas pela Equipe do Portal Dekassegui.com de Empreendedores "dekasseguis".
- Como abrir um negócio próprio no Japão
Cada tipo de atividade necessita de autorizações específicas
Para abrir um negócio no Japão é recomendável, antes, consultar a Câmara de Comércio e Indústria (Shooko Kaigisho) da cidade para saber de todos os detalhes da legislação que regulamenta a atividade pretendida. Seja qual for o setor de atuação, é preciso informar o órgão competente e passar por inspeção e aprovação antes de abrir as portas.Empresas que vão lidar com alimentos, por exemplo, como é o caso da maioria dos negócios iniciados pelos brasileiros no Japão, precisam notificar o Departamento Sanitário (item higiene) e Corpo de Bombeiros (item segurança), entre outros órgãos regulamentadores. Já quem pretende trabalhar com recursos humanos (empreiteiras) deve notificar o Departamento de Emprego Público local e será supervisionado pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social. Não deixe, ainda, de informar o início da atividade ao escritório local da Receita Federal (Zeimusho). O imposto poderá ser pago por meio da declaração individual (aoiro shinkoku) ou declaração pela Receita Federal (shiroiro shinkoku).
São quatro os tipos de empresas que podem ser abertas no Japão:
• Kabushiki Kaisha
É a empresa Sociedade Anônima, de capital aberto e com ações na bolsa de valores. O capital mínimo inicial é de 10 milhões de ienes. Precisa ser composto por sócio-fundador, mínimo de três diretores e pelo menos um auditor. Não há limites de investidores.• Yugen Gaisha
Empreendimento na categoria de Companhia Limitada (médio ou pequeno porte). Capital inicial mínimo de 3 milhões de ienes e máximo de 50 investidores. As ações não podem ser transferidas para os não-investidores.• Gomei Gaisha
Empreendimento de pequeno porte composto por investidores diretamente responsáveis pelo pagamento dos credores da empresa.• Goshi Gaisha
Companhia de pequeno porte, composta por investidores responsáveis pelo pagamento dos credores, porém, dentro dos limites estabelecidos no Estatuto Social.Fonte: Brasil Nippon
- Empreendedor de sucesso
Radial Grill: 2.500 pessoas em cada final de semana
O sonho de juntar dinheiro para montar um negócio próprio fez com que muitos brasileiros embarcassem para Japão no início da década de 90. Roberto Sato, 46 anos, também não escapou. Tinha intenção de iniciar um empreendimento e foi juntar suas economias numa fábrica japonesa em Hamamatsu.Hoje, 12 anos depois de voltar ao Brasil, conhece como poucos os segredos de investir no Brasil. É dono de três casas de comida árabe da bandeira Mister Sheik e de uma churrascaria, Radial Grill, uma das maiores de São Paulo, que atende 2.500 pessoas em cada de semana.
Desiludido com sua carreira de engenharia química, Sato não pensou duas vezes na hora de arrumar as malas e ir trabalhar como operário no Japão. Ficou sabendo que um primo seu, em Hamamatsu, estava economizando 3 mil dólares por mês. Então, decidiu encarar o Japão, em 1990. “Só quem vai para lá e larga o País onde mora, sabe o grau de dificuldade que a gente tem. Sem falar o japonês, é muito difícil”, afirma o ex-dekassegui que todos os dias pensava em sua família e amigos que tinha deixado para trás.
Sato trabalhava 12 horas por dia e dividia um quarto apertado com mais cinco pessoas. “O banheiro era coletivo e além disso ficava dois andares abaixo”, lembra. Porém, o sonho de ser dono do próprio nariz falava mais alto. Foi por causa dessa determinação que permaneceu por dois anos e quatro meses no arquipélago.
O esforço compensou. No começo, conseguia economizar cerca de 4 mil dólares por mês, e a poupança que conseguiu, cerca de 60 mil dólares, foi suficiente para abrir sua primeira loja Mister Sheik em Taboão da Serra, em São Paulo.
Em todos os seus empreendimentos, Sato é dono com mais sete sócios. Segundo ele, esse é o segredo de ser um empresário bem-sucedido. “Sempre entro em um negócio em sociedade. Normalmente são de oito a dez sócios no total. Em vez de investir em um pequeno empreendimento, adquiro já um grande, pois temos condições de dividir as responsabilidades”, conta, mostrando as vantagens da sociedade.
Assim que chegou ao Brasil, ficou três meses pesquisando diversas áreas para investimento. Aplicou suas economias no setor de alimentação por recomendação de um amigo, que já possuía uma churrascaria. “Foi ele quem me incentivou a formar sociedade e me apresentou um corretor de negócios”, lembra.
Outro segredo revelado por Sato é expandir rapidamente o empreendimento. “Se você fica muito tempo em um só negócio, ele corre o risco de ter uma sobrevida de 10 anos no máximo. Com o tempo, a tendência é a perda da rentabilidade. A partir do momento que você adquire um negócio, é preciso pensar já em outros, independente da área”, aconselha.
Sato não nega seu espírito empreendedor. Assim que for possível pretende ampliar seu leque de negócios. “Investiria em qualquer área, desde que ela apresentasse boa perspectiva de lucros”, afirma. Para ele, não existe setores de investimento em alta, o que importa é a probabilidade de ser um bom negócio.
Fonte: Brasil Nippon
-Franquia de LAN House atrai ex-dekassegui
Marcos Inayama em sua LAN House
Quem pensa que o Brasil é um País que não oferece oportunidades está enganado. Marcos Inayama, 26 anos, é um bom exemplo de que tudo depende da escolha, do conhecimento da área e da dedicação pessoal para o empreendimento decolar. Ele venceu o receio e aplicou suas economias na Monkey, uma franquia de LAN house (Local Área Network), no bairro de Higienópolis, em São Paulo, que atrai mais de 100 pessoas por dia.A casa oferece jogos em rede, serviços de informática e de acesso a internet. Para maior conforto dos clientes, possui ainda minibar, que serve aperitivos, refrigerantes e sucos. Atualmente, as LAN Houses são ponto de encontro e de diversão de pessoas de várias idades.
Ter um empreendimento próprio era algo distante para Inayama, que foi para o Japão, em 2000, com o objetivo de ajudar a família. “Nunca me passou pela minha cabeça ser dono de alguma coisa”, afirma. Voltou no final de 2002 e percebeu que o mercado de trabalho estava difícil, e os salários cada vez mais achatados, mesmo para profissionais especializado como ele, que é formado em processamento de dados.
Essas, entre outras, foram as razões que despertaram o ex-dekassegui para o mundo dos negócios. “Foi espontâneo. Queria melhorar de vida, vi que LAN House era um ótimo negócio e decidi apostar no negócio”, conta.
Monkey/Cedida
As LAN Houses são hoje ponto de encontro e de diversão
Antes de iniciar a franquia Inayama trabalhava com suporte de computadores. “Quando surgiu a moda das LAN Houses logo me interessei. Tinha tudo a ver com a minha carreira e percebi que o retorno do investimento era rápido”, conta. Segundo ele, fazer o que gosta e o que sabe é o segredo na hora de investir.Para ter capital suficiente para investir o ex-dekassegui teve que dar duro, em jornadas de mais de 12 horas nas fábricas japonesas de Tóquio e Ibaraki. “Não foi fácil. O idioma foi minha maior dificuldade”, afirma.
Mas o esforço compensou. Enquanto muitos brasileiros ficam mais de 10 anos no Japão, Inayama conseguiu juntar o suficiente para abrir seu próprio negócio em 1 ano e 9 meses. “Quando falo o quanto economizei em dinheiro e o tempo que trabalhei lá, ninguém acredita”, conta.
Ele não queria ficar muito tempo longe de casa e fez um regime bravo para voltar mais rápido e com uma boa economia. Segundo ele, muitos que vão para lá se deslumbram, querem ter uma vida com luxo e não conseguem economizar.
Dedicação também é um dos elementos que fazem de Inayama um empresário de sucesso. Apesar de ter quatro funcionários, ele passa 10 horas por dia trabalhando. “Nos fins de semana aumenta a carga horária. Chego a ficar muitas vezes mais de 13 horas”, comenta. Mas isso não é problema para ele. “Minha experiência no Japão me ajudou a ter bastante resistência quanto à carga de trabalho”.
Dica para os dekasseguis
Para o brasileiro que está prestes voltar ao País, Inayama recomenda:
1- “O ideal é vir com o dinheiro bem definido. Uma parte para se manter, no mínimo, por 3 meses, até terminar os procedimentos de analise, pesquisa e decisão do negócio que se pretende montar, e outra parte para iniciar e manter o negócio”.
2- O dekassegui tem de manter contato com o Brasil para saber o que está dando certo no País”.Dicas para não deixar que seu negócio vire mico:
1- Pesquisar bastante a área na qual se pretende montar o negócio, analisando o público alvo e o tamanho da cidade.
2- O dono tem de fazer o que sabe e gosta.
3- É preciso muito esforço e dedicação.
4- Não desistir nas primeiras dificuldades.
Fonte: Brasil Nippon
- Cafeteria de sucesso
Local virou um dos points mais badalados da cidade
Quem conseguiu juntar dinheiro no Japão com muito custo, ainda resiste em voltar ao Brasil para investir suas economias. Os receios têm fundamentos: não são poucas as histórias de pessoas que perderam tudo numa empreitada infeliz, acumularam dívidas e tiveram de retornar às fábricas japonesas para recomeçar do zero. Além disso, os números oficiais não são nada animadores. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mais da metade (56%) das micros, pequenas e médias empresas fecha as portas até o terceiro ano de vida, vítimas sobretudo de falhas na administração.Mas este não é o caso de Roberto Takashima, analista de informática que, após se formar em 1992, decidiu embarcar para o Japão. Depois de várias idas e vindas, ele decidiu voltar ao Brasil e hoje é dono de um empreendimento de sucesso em Curitiba, Paraná. Seu Exprèx Caffè, montado em sociedade com seu cunhado, em 1998, conquistou a clientela e foi eleita a melhor cafeteria de Curitiba pela revista Veja.
A casa tem 15 mesas de quatro lugares cada e também serve tortas, doces, salgados, pratos rápidos e, claro, café expresso. “Em dias de pico, já cheguei a atender mil pessoas”, anima-se Takashima. Com relação ao faturamento, ele diz estar bastante satisfeito, apesar de preferir não revelar números.
Na época em que esteve no Japão, Takashima trabalhou com vários brasileiros na linha de montagem da Ibiden, em Gifu. E constatou que, como ele, a maioria gostaria de retornar ao Brasil para ter um negócio próprio. Porém, poucos efetivamente seguem este caminho. “As pessoas têm receio de investir no Brasil, são muito inseguras”, analisa.
Takashima afirma que a ansiedade é um dos principais motivos que fazem com que os negócios não dêem certo. “No Japão, as pessoas que ganham US$ 2 mil ou US$ 3 mil voltam para o Brasil, montam o negócio próprio, mas apesar disso faturam menos. Isso faz com que muitos fiquem insatisfeitos. Mas não adianta, no Brasil tem que aprender a economizar”, afirma o Takashima.
Ele aponta outra atitude dos ex-dekasseguis prejudicial para o sucesso de um negócio no Brasil. “Muita gente volta e não cai na real. Começa a gastar, comprando carro, apartamento e mobília, deixando apenas uma pequena quantia para investir.
Segundo o empresário nikkei, o ex-dekassegui que pretende iniciar um empreendimento no País não pode pensar em voltar ao Japão. Takashima explica que, nos momentos difíceis, a pessoa precisa demonstrar espírito empreendedor, ao invés de questionar se fez a escolha certa ao optar por voltar ao Brasil. “É preciso pensar como empresário, analisar como melhorar o negócio, suar a camisa, fazer com que a empresa cresça. Deve esquecer que o Japão existe. Tem que ficar aqui no Brasil e fazer sacrifícios para a empresa ganhar nome e crescer”, conta.
Dificuldades no começo
O ex-dekassegui conta que ao chegar no Brasil procurou um nicho de negócios para explorar. “Vi que a situação do País não estava fácil e procurei novidades onde eu moro, em Curitiba. Escolhi um ramo, analisei o que era, cansei de fazer consultas ao Sebrae e, finalmente, aprendi como se faz”, ensina.
A sua segunda maior preocupação foi economizar ao máximo, para garantir o capital da futura empresa. Por isso, no início, preferiu alugar um apartamento e andar de ônibus. Essas medidas simples permitiram ao empresário investir o total de cerca de R$ 100 mil na cafeteria. “Tive de trabalhar até mais no Brasil do que no Japão”, lembra Takashima. “Nos primeiros meses, você só vê o dinheiro sair. Abrimos no verão e o movimento era fraco, o balanço dava negativo. Mas a partir do 4º mês os resultados começaram a aparecer, e o faturamento passou a ser suficiente. Quando o inverno chegou foi um sucesso, ficou lotado”, revela.
Conselhos
Veja seis dicas de Takashima para quem quer montar um empreendimento de sucesso:
1) Recursos próprios para investir
Isso evita pedir empréstimos em bancos, que cobram juros exorbitantes2) Escolha do ramo do negócio
A razão pela qual Takashima optou por abrir um café-bistrô foi a ausência de concorrentes do mesmo nível na cidade escolhida, Curitiba (PR). “Na época em que cheguei, só uma tinha o porte da nossa”, conta.3) Identificação do público-alvo
A Exprèx Caffè oferece aos seus clientes um menu composto por bebidas e pratos requintados, num ambiente confortável (15 mesas de quatro lugares cada). “O pessoal quer conforto, não uma cadeira de metal fria”, revela.4) Atendimento de primeira
É um dos destaques do negócio conduzido por Takashima. “Na época que a gente voltou do Japão, tínhamos em mente que o cliente tem de estar em primeiro lugar. Lá, quando você entra numa loja ouve ‘irashaimassê’ (seja bem-vindo), e o cliente é muito bem atendido. Por quê não implantar isso no Brasil? O fato de ser atencioso e tratar o cliente como um amigo ainda é um diferencial”, afirma.5) Inovação
Preocupado em cativar os clientes, Takashima aprimora cada vez mais a lista de produtos vendidos na Exprèx Caffè. “É preciso inovar, senão você faz igual aos outros”, diz.6) Percepção
É fundamental sentir qual nicho de mercado apresenta melhores oportunidades. Se for possível, tentar inaugurar algo inédito no mercado brasileiro, trazendo a idéia do exterior. Além disso, é necessário escolher bem o ponto comercial. Takashima alerta: “Não adianta montar o negócio perto de casa porque é mais cômodo para você. É preciso estar onde o cliente também está”.Contato: Roberto Takashima, sócio-proprietário do Exprèx Caffè e consultor de empresas
Telefone: (41) 232-9578 / e-mail: exprex@brturbo.com.brFonte: Brasil Nippon
- Caixinha de sucesso
Robinson Shiba: meta é conquistar a Europa
Robinson Shiba é prova de que o espírito empreendedor, somado ao senso de observação, resulta em negócio de grande sucesso no Brasil. Formado em odontologia, ele decidiu fechar seus três consultórios e apostar em um serviço que havia visto em 1992 nos Estados Unidos nos tempos de estudante universitário: o delivery de comida chinesa, uma atividade que ainda não existia no País. Nascia ali, o China in Box que tem como sócios os irmãos Shiba (Hideaki, Robinson e Helen). “Percebi que comer comida chinesa em uma caixinha era um costume que atraía milhares de americanos”, conta Robinson Shiba. “Era barato e gostoso. Achei que esse hábito poderia se tornar um negócio interessante também no Brasil”, lembra.Estava certo. Hoje, a marca é um dos empreendimentos de maior sucesso no Brasil e também uma das mais procuradas do setor de franquia. A primeira loja foi aberta em 1993, no bairro de Moema (SP) e, no mesmo ano, outras cinco unidades próprias foram inauguradas em São Paulo.
A rede China In Box totaliza 116 lojas instaladas em todas as regiões do País, incluindo duas na cidade de Guadalajara, México. No ano passado, foram inauguradas em média de 3 lojas por mês. Seu próximo passo é expandir a rede na Europa. O faturamento anual da China In Box no ano de 2000 ficou em R$ 25 milhões.
Hoje a rede vende, em média, nada menos que 1 milhão e 800 mil pratos de comida chinesa por mês e conta com um crescimento de 7% ao ano. Embalado por tamanho sucesso, Shiba partiu para popularizar a comida japonesa: abriu o Gendai, outra rede de franquias, que fatura R$ 1,4 milhão ao ano. “Era difícil encontrar comida japonesa no fast-food de um shopping. Foi daí que resolvi abrir o Gendai”, explica.
Dono de outros oito negócios, Shiba pretende investir agora no setor de confecção infantil. “Tenho uma filhinha de 3 anos e vejo o quanto ela usa de roupa. Acho que é um ramo promissor”, revela.
Além de empresário, Shiba é presidente da Comissão de Ética da Associação Brasileira de Franquias (ABF). “Meu intuito é tirar as maçãs podres do franchising”, afirma.
Para ele, investir em franquias ainda é o melhor negócio para quem quer começar em determinado ramo. “O índice de negócios que fecham são bem menores quando são franquias. O risco é mais baixo”, afirma.
Franquia China In Box
A metragem mínima é de 130m de área útil. Para sua operação são necessários entre 15 e 20 funcionários, incluindo entregadores. O capital mínimo para abertura da loja é de R$ 150.000,00 incluindo custos com obra civil, equipamentos, marcenaria, taxa de franquia, duas linhas telefônicas e estoque inicial. O capital de giro fica em torno de R$ 20 mil. A previsão de retorno é de aproximadamente 24 meses. Mensalmente, são destinados ao franqueador 8% do faturamento bruto da franquia, sendo 6% correspondentes a royalties e 2% ao fundo de propaganda.
Não existe uma fábrica para produção do cardápio China In Box. Cada loja possui sua própria cozinha. Os pratos são preparados no momento em que o cliente faz o pedido. Existe um treinamento aos cozinheiros para que o padrão seja seguido à risca, principalmente quanto aos temperos.
Por enquanto, a abertura de franquias China In Box no Estado de São Paulo está suspensa. Em outras localidades, a abertura está sendo administrada por Master Franqueados regionais.
Mais informações no site www.chinainbox.com.br
ou pelo e-mail:info@chinainbox.com.brLeia história de franquedo China in Box
· O bom negócio da comida chinesa - Delivery de São Paulo fatura cerca de R$ 80 mil mensaisFonte: Brasil Nippon
- Casal investe em franquia de escola
Simone abriu a escola apenas cinco meses após voltar
Depois de 5 anos trabalhando em fábricas japonesas, Simone Sayuri Sano Santos, 33 anos, estava decidida ficar no Brasil definitivamente. Ao invés de comprar uma casa própria ou um carro, como faz a maioria dos dekasseguis que retorna ao País, após passar um primeiro período no Japão, Simone optou em iniciar seu próprio empreendimento. Aplicou as economias em uma franquia do Instituto de Ensino Kumon, em Osasco, assim que chegou no Brasil. “Antes de qualquer coisa eu precisava ter como me sustentar”, conta. A escola, hoje, já está com 110 alunos e ensina japonês, português e matemática.“Eu não queria era repetir o que acontecia com muitos parentes – eles compravam um imóvel, mas não tinham como se manter. Assim eram obrigados a voltar para o Japão”, explica Simone. A decisão de investir foi rápida. Apenas 5 meses após chegar ao Brasil, em 1997, já estava com as portas de sua franquia abertas.
Como muitos brasileiros, em 1992, Simone, então desempregada, foi tentar a vida no Japão junto com seu marido, José Henrique Peixoto dos Santos. “Fomos com o objetivo de ficar 3 anos, voltar e montar um negócio”, conta. Mas o tempo foi além das expectativas. O casal acabou ficando 5 anos para poder economizar R$ 50 mil, suficientes para abrir a franquia do Kumon.
Simone e seu marido ficaram a maior parte do tempo em Hiroshima, trabalhando em um clube de golfe. “Não foi fácil, trabalhávamos mais de 10 horas por dia”, conta a ex-dekassegui que só conseguiu começar a economizar depois de 3 anos no Japão. “Lá se ganha bem, mas também se gasta muito. Demoramos a juntar dinheiro”, comenta.
Além de dar duro todos os dias no clube, Simone foi obrigada a aprender o japonês. Segundo ela, em Hiroshima existem poucos brasileiros, e nas fábricas não há tradutores de português-japonês. “Tive de aprender tudo sozinha. Foi difícil, mas compensou”, conta. Hoje, o casal fala fluentemente a língua. “Esse se tornou nosso diferencial no Brasil”, afirma, satisfeita com o esforço.
Simone começou a pesquisar franquias através de jornais e revistas publicados em português no Japão. “Guardava diversos materiais para ir direto nos negócios que me interessavam , quando chegasse no Brasil”, conta. “Decidi que queria investir em alguma coisa que tivesse computador ou a língua japonesa, pois queria usar o que eu tinha de melhor, a fluência em japonês”, comenta.
A ex-dekassegui não mediu esforços para chegar onde está hoje. Ela e seu marido trabalham cerca de 12 horas para manter a escola. “Quando se tem um negócio próprio, é preciso batalhar mais que nas fábricas japonesas”, afirma. No início, o casal chegou a fazer do local de trabalho sua própria residência. “Nos acomodávamos pior que no Japão”, lembra. Hoje, com o retorno do empreendimento eles já conseguiram construir uma casa.
Simone utiliza muitas lições que aprendeu na convivência com os japoneses para dar uma alavancada nos negócios, entre elas, a forma de tratar os clientes. “Quando estava no Japão, comprei um aspirador de pó e todo mês essa loja me enviava um brinde. Isso me fazia voltar lá sempre”, lembra. O casal tenta aplicar essa filosofia em seu empreendimento. “Sempre faço um agrado para os pais e alunos”, revelando o segredo do seu negócio.
Simone listou 3 dicas para os dekasseguis que já pensam em voltar ao Brasil e investir:
1- “Primeiro, a pessoa tem de pensar como se sustentar no Brasil. A gente volta com tanta saudade e só pensa em passear, mais não é bem assim”
2- “Abrir um negócio exige paciência. É preciso lembrar que o dinheiro do Japão é diferente do brasileiro.”
3- “Perseverança. Não desista na primeira dificuldade.”Fonte: Brasil Nippon
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